Até à segunda metade do século XIX, não existiam as actuais Piazza IV Novembre, Via Roma e Via Garibaldi. Estas zonas eram constituídas por parcelas de terreno pertencentes a vários proprietários locais: Saverio Sipari, Francesco Grancassa, Giovanni Coletti (pai do Presidente da Câmara Carlo) e as irmãs Musilli.
A história da Via Roma começou na década de 1880, quando a estrada Alvito-San Donato foi construída nos terrenos de Saverio Sipari e Giovanni Coletti. Os dois proprietários cederam gratuitamente os seus terrenos ao município, enquanto os terrenos pertencentes a outros foram expropriados. Anteriormente, toda a área pertencia ao convento dos frades, ao qual se chegava a partir do centro da cidade através de um caminho.
Liderados pelo presidente da câmara Carlo Coletti, os administradores municipais decidiram criar uma nova entrada para a vila, apesar de o plano inicial prever que a estrada que vinha de Alvito se ligasse diretamente ao que hoje chamamos Via Mazzini. Foi construída uma nova artéria que ia desde a zona dos lavadouros até à atual Piazza IV Novembre (hoje Via Roma). Esta escolha permitiu aos cidadãos de San Donato Val di Comino construir novas casas, favorecendo assim a expansão do centro da cidade.
Villa Grancassa
No cenário pitoresco de San Donato Val di Comino, ergue-se a encantadora Villa Grancassa, uma joia arquitetónica que tem as suas raízes na primeira metade do século XIX. A história da villa começou em 1853, quando Don Francesco Nardone, um padre iluminado, lançou as bases para a sua construção. À frente do projeto esteve Don Felice Grancassa, seu aluno e herdeiro, que transformou esta visão em realidade.
Durante a construção, a falta de água causada por uma seca prolongada não dissuadiu Don Felice. Em vez de parar o trabalho, abriu as suas caves e utilizou o vinho dos seus barris para amassar a argamassa, um gesto de generosidade que se tornou lendário.
A herança de Felice foi enriquecida pelo seu filho, Francesco, conhecido como Don Ciccio. Licenciado em Direito pela Universidade de Nápoles, Francesco ampliou a villa e enriqueceu-a ainda mais. As suas duas filhas, Felicetta e Rosolinda, herdaram a propriedade, mas a prosperidade da família foi severamente posta à prova pelo terramoto de Marsica em 1915, que danificou gravemente a estrutura, deixando a villa parcialmente em ruínas.
Apesar da tragédia, Francisco construiu casas resistentes ao terramoto perto do palácio danificado. Após a sua morte, as suas filhas ficaram sob a tutela da tia Ferdinanda que, juntamente com Rosolinda, geriu a propriedade até à sua morte em 1924. Foi nessa altura que Rosolinda, com a ajuda de Lucia Quintiliani, transformou a área em frente da villa num florescente negócio doméstico, enquanto os Engenheiros Civis de Frosinone se encarregavam das reparações.
As crescentes dificuldades económicas, agravadas pela Segunda Guerra Mundial, obrigaram as irmãs de Grancassa a procurar soluções alternativas. Depois de ter acolhido jovens seminaristas de Sora, em 1951 a casa foi doada ao próprio seminário em troca de uma ajuda. Em 1954, o bispo Biagio Musto financiou um primeiro restauro, enquanto o bispo Carlo Minghiatti efectuou outras obras no edifício e nos jardins.
Na década de 1890, a villa foi adquirida por proprietários privados que, sob a orientação do arquiteto Gioacchino Coletti, realizaram grandes obras de ampliação e restauro, devolvendo a esta magnífica residência a sua antiga glória.
A villa, rodeada por um parque exuberante, oferece aos visitantes uma viagem no tempo com as suas salas e salões ricamente decorados. Um majestoso portal, obra de pedreiros locais, dá as boas-vindas aos visitantes e conduz a uma elegante escadaria que leva aos pisos superiores. No portal, uma epígrafe em latim recorda os nomes dos fundadores, Francesco Nardone e Felice Grancassa.
A família Grancassa e o seu empenhamento na comunidade
Felice Grancassa era um dos principais proprietários de terras de San Donato e contribuiu ativamente para a vida pública. O seu filho Francesco, advogado e conselheiro municipal, tornou-se presidente da câmara em 1893, continuando o trabalho de desenvolvimento iniciado pelo seu antecessor Carlo Coletti. Apoiou a construção do aqueduto local e trabalhou para incluir San Donato no eixo ferroviário Atina-Sora-Isola Liri.
Em 1964, o P. Dionigi Antonelli compôs "Bianca Villa degli Avi Grancassa", um hino à beleza da villa, musicado pelo maestro P. Rodrigo di Rocco e intitulado "Villa Grancassa".
Hoje, a Villa Grancassa é um símbolo de elegância e de história, onde o passado e o presente se encontram harmoniosamente. Um lugar que conta a história da família Grancassa e o seu compromisso com a comunidade, envolto na magia do seu esplêndido parque.
Passear por estas ruas é uma viagem no tempo, uma oportunidade única para mergulhar na história e descobrir como a visão de um grupo de administradores iluminados moldou uma nova parte da cidade, moldando a identidade de San Donato Val di Comino tal como a conhecemos hoje.